O que aprendemos gerindo uma das maiores entidades LGBT de negócios do Brasil
Diretoria Executiva · Câmara LGBT do Brasil · 2023
Em 2023, a ROHAYHU assumiu a Diretoria Executiva da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil. Não como consultoria externa com recomendações a entregar. Como gestão, com agenda, equipe, decisões e responsabilidade sobre o dia a dia de uma das principais entidades de representação do segmento no país. O que construímos lá dentro ensina mais sobre diversidade como política econômica do que qualquer relatório de mercado.
O turismo LGBT movimenta US$ 218 bilhões por ano no mundo. No Brasil, 77% dos viajantes LGBTI+ priorizam destinos que os acolhem. Cada real investido em infraestrutura de acolhimento para esse público retorna multiplicado em hospedagem, gastronomia, cultura e permanência. Os números existem, são consistentes e estão publicados. O problema não é falta de dado. É falta de estrutura para transformar dado em agenda.
O que uma entidade no momento certo de crescer precisa
A Câmara LGBT do Brasil chegou a 2023 com presidência ativa, representantes regionais em vários estados, parceria firmada com a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo envolvendo nove secretarias estaduais, e um programa de fornecedores diversificados em operação desde 2021. Tinha história, legitimidade e rede. O passo seguinte era natural: criar uma Diretoria Executiva dedicada a dar escala ao que já funcionava.
Foi esse o mandato que a ROHAYHU recebeu. Em seis meses, integramos ferramentas digitais para toda a equipe, criamos metodologia de relatórios para associados, estruturamos a agenda da presidência, produzimos conteúdo editorial e iniciamos aproximações com mais de dezesseis organizações estratégicas, entre elas Embraer, Deloitte, BID, SEBRAE e B3. Em agosto, lideramos a delegação brasileira à NGLCC International Business and Leadership Conference em Denver, maior evento de empreendedorismo LGBTQ+ do mundo, com 68 mobilizações entre reuniões e encontros estratégicos em quatro dias.
O que o mercado ganha quando a governança avança
Organizações que representam segmentos econômicos relevantes ampliam sua influência quando somam legitimidade de causa com capacidade de execução. Credibilidade institucional é o ativo que transforma presença em parceria, parceria em recurso e recurso em impacto mensurável.
É um movimento que vemos em entidades da sociedade civil em maturação: nascem da militância, crescem pela causa e chegam a um momento em que escolhem profissionalizar a operação para multiplicar o que já construíram. Gestão não é o oposto de propósito. É o mecanismo que sustenta o propósito no longo prazo.
O que a ROHAYHU vê como estrutura
Quando trabalhamos com organizações que operam na intersecção entre direitos, mercado e território, partimos de uma premissa que o Método DHDS (Direitos Humanos como Design de Serviços) torna operacional: inclusão sem governança é intenção. Com governança, é política. A diferença entre as duas é o que separa uma entidade que existe de uma entidade que transforma.
Trabalhar dentro da Câmara LGBT do Brasil confirmou o que acreditamos: diversidade como mercado não se sustenta apenas com visibilidade e representação. Sustenta com processos, com dados, com rotina de planejamento e com a capacidade de sentar à mesa de negociação com o mesmo preparo das organizações com quem se quer firmar parceria.
Esse é o argumento que falta nas conversas sobre economia da diversidade: não basta o mercado existir. É preciso que as organizações que o representam estejam prontas para capturá-lo.
Quer estruturar a governança de uma organização que atua com diversidade, turismo ou impacto social?
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